26 junho 2014

Cotia filmada na Armadilha da Reserva Rio das Furnas



A Cotia (Dasyprocta aguti) é um herbívoro conhecido pela cabeça alongada e pela cauda curta. Possui quatro dentes incisivos grandes e curvos. Quando ameaçada, eriça os pelos. Vive em pequenos grupos que enterram o alimento (frutas, sementes e raízes) nos períodos de fartura e só os desenterram em períodos de escassez. Abrigam-se em tocas criadas em meio de raízes e troncos caídos. Pesa entre um quilo e meio e 2,8kg. A expectativa de vida é de 14 anos.

27 maio 2014

A Floresta Atlântica nossa de cada dia










Desfecho o dia gripado e com saudades da Reserva Rio Das Furnas, mas antes gostaria de dar uma palavrinha sobre o dia que passou, eleito Dia da Floresta Atlântica. Prefiro falar em floresta, uma vez que mata está muito perto de mato e remete ao verbo, sempre o verbo!

Os quatis que aparecem sorrateiros nas fotos fazem parte de um grande bando que anda pelos galhos e copas das árvores pendentes na escarpa à frente da casa na Reserva. Procuram frutos, mascam grandes sementes, sobem e descem à vontade, parecidos com macacos de tão destros na lida com o emaranhado de cipós, trepadeiras, epífitas, parasitas, bromélias, orquídeas, jerivás, taquaras, tudo porque a Reserva faz parte de num ecótono. O que significa uma área de floresta de transição, com variado tipo de vegetação, desde araucárias, canelas a erva-mate; tendo contato com o campo de altitude, suas matinhas nebulares etc e tal. Mas é tudo Floresta Atlântica, deixa.

Quando penso na Reserva, 10 ha de RPPN criada em 2001 e, com o apoio da SPVS, expandida em 2013 para 53,5 ha, penso em Serviços Ambientais, penso que mantemos por lá um filtro para o Rio Itajaí, pois a Reserva fica numa das nascentes deste rio; a Reserva preserva o solo, evita erosão com as fortes e antigas árvores fincadas em toda a margem do rio das Furnas, que corta a área pelo meio. Fabricamos oxigênio, espalhamos polinizadores, reproduzimos decompositores, enfim, somos produtores de sombra e água fresca, como fomos apresentados num dos programas Terra da Gente.

Somos até reguladores da composição química dos oceanos, ora veja! E ainda por cima, estamos no topo da megadiversidade mundial, brasileiros que somos. Dito isso, olhamos ao nosso redor, e vemos o quê? A limpeza! Sim, paradoxalmente acharam um nome bonito para desmatamento e perda de habitat, o mesmo aconteceu com os venenos aplicados na agricultura, que de um tempo pra cá passaram "misteriosamente" a serem chamados de "remédio".

Então, chegamos na água.
Na Serra da Boa Vista, onde está a Reserva, o fluxo de água vem da superfície, isso quer dizer que a água do dia seguinte é provida pelas gotículas da noite anterior e sucessivamente. É um tema pouco percebido e mais misterioso quando percebemos que o rio diminui mas não some, mesmo depois de uma grande estiagem. Presumo que seja por conta da variação de temperatura entre a noite e o dia que faz com que as minúsculas folhas da vegetação nativa condensem o ar e deixem escorrer entre suas raízes e caules a água que vai engrossar as cascatas, infiltrar no solo e encontrar outras águas vindas de todo lado, pois estamos num canyon: o ralo oeste da Serra da Boa Vista.

Poucos pensam em melhorar a qualidade e a quantidade de água mantendo as florestas, como se água fosse só abrir um poço e pronto. Na cidade tudo é mais simples porque é só abrir a torneira, não é mesmo?

E o clima vai mudando, mudando, muda e só se percebe que mudou de verdade quando saímos da cidade e entramos novamente na floresta. Aí sim, parece óbvio que proteger este conjunto de ecossistemas é essencial. De repente lemos nos jornais que Unidades de Conservação estão sendo leiloadas, que manguezais são loteados, que estradas absurdas são rasgadas sem mais nem menos e beneficiam só o capitalismo, bom, aí a porca torce o rabo, como dizem.

Tem gente trabalhando duro, como o pessoal da SPVS, que alinha o capital com a conservação, através de programas como o Desmatamento Evitado, do qual a Reserva fez parte por cinco anos. Durante este tempo aconteceu muita coisa, entre a medição georreferenciada; a criação do Plano de Manejo; pesquisas com bichos e plantas; manutenção e incentivo à Educação Ambiental e aquisição de Armadilhas Fotográficas de onde saíram registros excepcionais da fauna do canyon. A Reserva, assim, teve dois tempos, o antes e o depois da SPVS. O que aconteceu ao redor? Pinus et pastagem. Agora, estamos num sufoco danado pra manter a área livre do fogo cruel, dos negociadores de aves silvestres, caçadores e dos tais bem intencionados, dizem, que o inferno anda cheio...

E assim seguimos ao fim do dia da Floresta Atlântica, com espirros e nariz escorrendo na urbe que pára devagar, depois dos alarmes disparados, buzinas ao longe, sirenes, luzes e torneiras prontas para o banho quentinho do ascensorista, da família preocupada em fornir a prole, do petê, do pão e do circo, porque ninguém é de ferro, e nem sabe que lá longe tem uma gota que pode faltar na torneira e os quatis, sabe os quatis? Pois então!

23 maio 2014

Charões na Reserva!

Psittacidae Papagaio-charão (Amazona pretrei) Red-spectacled Parrot © Renato Rizzaro


 Já que a época dedica-se a festejar o encontro destas maravilhosas aves, na região de Urupema, vamos expandir a conversa. 

Fato único no Planeta, a reunião de milhares de papagaios na Serra Catarinense começou em meados dos anos 90, desde quando deixaram de encontrar os pinhões, alimento único entre março e julho, no nordeste do Rio Grande do Sul, por conta da destruição daquele habitat. Vale lembrar que as magníficas florestas de araucária foram dizimadas até chegar a 1% na atualidade, levando a perigo de extinção, inclusive, os papagaios.

Maravilha para os observadores de aves, esta é uma festa perigosa para as aves, por ficarem vulneráveis a doenças que podem contaminar o grupo e, o pior, acabarem engaioladas. 

Porém, creiamos que alguns humanos não sejam tão grotescos ao ponto de estragarem a festa dos papagaios e, claro, sua própria, e falemos um pouco do bicho: é um dos menores papagaios brasileiros; forma um casal fiel; enquanto a fêmea nidifica é alimentada pelo macho; destaca-se pela bela máscara encarnada, e aí nota-se a diferença para um outro papagaio, o de peito roxo (Amazona vinacea), seu companheiro de viagem. Muitíssimo menor em quantidade, onde há milhares do charão encontram-se pequenas centenas do roxinho, fazem menos algazarra e até parece que gostam de um certo silêncio. Quem já teve o privilégio de presenciar revoadas de charões em Urupema sabe que é uma berraceira sem igual. Nem uma roda de italianos é mais alegre e barulhenta! 

“Fora do período de produção das sementes de Araucaria, os charões utilizam em sua alimentação frutos, sementes, folhas e flores de dezenas de espécies de plantas nativas e algumas exóticas, destacando-se os frutos de guabiroba (Campomanesia xanthocarpa), cereja (Eugenia involucrata), sementes de camboatá-vermelho (Cupania vernalis), canela (Ocotea puberula).” 

Embora a Reserva tenha estas espécies vegetais, não observamos charões alimentando-se e sim casais cruzando o céu na época do pinhão e, no último 15 de abril, 26 indivíduos voando de Norte a Sul, o que aumenta, provavelmente, a área de registro. Possível tema para pesquisa? A Reserva está aberta e apoia as ações para conservação do Papagaio-charão. 

Para saber mais, clique aqui

Psittacidae Papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) Vinaceous Parrot © Renato Rizzaro

14 janeiro 2014

Arapaçu-grande / Dendrocolaptes platyrostris / Planalto Woodcreeper

Arapaçu-grande / Dendrocolaptes platyrostris / Planalto Woodcreeper. Foto Renato Rizzaro


Ninho encontrado no Rancho da Reserva Rio das Furnas, no telhado. Este filhote, dos dois que estão por lá, foi o primeiro a sair do ninho. Uma vez no chão não conseguia mais alcançar o telhado, pois ali estava seu ninho com outro filhote chamando. Foi a primeira vez que este arapaçu fez ninho na parte baixa do telhado, uma vez que há tempos vem utilizando a parte alta do telhado para nidificar. É nosso vizinho constante, pois dorme abaixo dos beirais tanto de casa quanto do rancho.

Pica-pau-anão-carijó / Picumnus nebulosus / Mottled Piculet fotografado na Reserva Rio das Furnas

Pica-pau-anão-carijó / Picumnus nebulosus / Mottled Piculet (femea)

Pica-pau-anão-carijó / Picumnus nebulosus / Mottled Piculet (macho)


É provavelmente a espécie de distribuição mais austral na América, atingindo o sul do Uruguai, além de incluir os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, no Brasil, e o Departamento de Missiones, na Argentina.

The Mottled Piculet (Picumnus nebulosus) is a species of bird in the Picidae family. It is found in Argentina, Brazil, and Uruguay. Its natural habitat is subtropical or tropical moist lowland forests. It is becoming rare due to habitat loss.

23 outubro 2013

Picnic com água fresca

Na frente da casinha, um gostoso picnic. Foto Gabriela Giovanka

Tangará-dançador foi o primeiro a dar boas-vindas aos convidados. Em seguida, olhos afiados perceberam um casal de gaviões-de-rabo-branco e beija-flores “à jato”, segundo um dos alunos. “Todos em silêncio, primeira lição que aprendemos para observar passarinho”. 

Com os binóculos doados pela Birder’s Exchange e os Guias de Aves, presente dos amigos Edson Endrigo e Pedro Develey, as duplas seguiram pelas trilhas entre perguntas inquietantes e silêncios ­instigadores. Essa saída de campo estava programada desde o mês passado com a Professora Sileni e a Secretaria de Educação de Alfredo Wagner. Um ônibus escolar trouxe os alunos de Picadas até o início da estrada de acesso à Reserva; dali à grande ponte seguiram de Tobata, gentilmente cedida pela professora com o seu marido na boléia. 

Num clima perfeito e pouco tempo para tanto querer e conversar, como diriam depois, as crianças observaram, curiosas, “trilhas sem fim” e árvores pouco ­conhecidas, embora nativas: Inga, Imbuia, Imbira, Corticeira...

casinha ganhou um comentário da avó de um dos alunos, pois frequentava a furna quando criança: “então, a casa deve ser muito velha, mesmo!”, constatou o garoto, eufórico.


Hora do picnic
Toalha na frente de casa, guloseimas preparadas pelas mamães, titias, vovós e uma deliciosa torta de banana da Gabi encerraram a visita. Porém, queriam mais: conhecer a casinha por dentro, o rancho, nosso pequeno museu com cascas de cobras, insetos, penas e esqueletos. Ficou tudo para a próxima visita, num dia inteirinho na Reserva, nosso Paraíso, onde produzimos sombra e água fresca para esta e para as futuras gerações, com carinho, com certeza e apoio da SPVS.








05 outubro 2013

Roda no Mercado São Jorge

Apitos, flautas de taquara, sementes amazônicas a pais curiosos no espaço da Tuktuk Mamamuk

Mercado São Jorge é um espaço orgânico. Primeiro, por oferecer alimentos orgânicos e certificados; depois, por incorporar desde café servido na hora, pianista ao vivo, agência de viagens e apoiar projetos, como o Virando a Mesa que propõe o uso do Açai da Mata Atlântica. Proposta que de Mercado tem o nome além de gente bonita provando bebidas de São Joaquim, crepes franceses e licores produzidos e oferecidos pelos seus produtores.
Para deixar tudo ainda mais orgânico, o espaço oferece móveis, massagens, produtos de beleza e sorrisos.
Convidados pela Nadine da Tuktuk Mamatuk para, no dia da Ave, lançar nosso Poster de Aves da Amazônia, mostramos um pouco do que acontece em nossa Roda de Passarinho quando estamos em Expedições pelos biomas brasileiros.
Muitas crianças entraram e saíram da Roda, movimento próprio de mercados, com as mamães e papais trazendo seus acanhados pimpolhos que logo se soltavam aos sons de aves e curiosas sementes, flautas e pião Waimiri-atroari. Pouca demora não queriam ir embora, mesmo com a insistência dos pais. :)
Tudo muito bacana com direito a sábado ensolarado e vento sul.
Ao final, as crianças ganharam fotos e apitos de aves de presente. Uma festa!


Frango-dágua desperta muita curiosidade com seu ninho na lagoa
Passarinho e pirulito na Roda do Mercado
Mamãe alegre com atividade dos filhos e Nanci, uma das sócias da Tuktuk Mamamuk, nossa anfitriã.


Gabriela numa pequena Roda de Passarinho em volta do Poster das Aves da Amazônia

18 setembro 2013

A Roda de Passarinho no Moinho de Timbó

Cada criança ganhou uma foto original com a chancela da Reserva Rio das Furnas. Foto Fernando Raddatz

Sob o assoalho, um Moinho centenário gira sua roda sem parar. Produzia farinha com a força das águas do Benedito, rio abençoado por conta da grande quantidade dos peixes de outrora. 

Região de grandes enchentes, há dois anos esta sala ficou debaixo dágua, até a viga! 
Do rio dos Cedros vem a água que passa por Timbó, uma das cidades do Vale Europeu preferida por ciclistas, naturalistas, orquidófilos e observadores de aves.

Maicon Mohr/Coave nos convidou  para o Avistar Vale Europeu, e lá fomos com nossa Roda de Passarinho, fotos, posters, sementes, Floresta, Pantanal, Amazônia e História. 

Este Avistar, uma das sementes do Guto, mostrou o quanto o Brasil precisa despertar para a Observação de Aves, abrir seus parques, incentivar a formação de Guias especializados, traçar roteiros e descobrir Santa Catarina, assuntos da palestra de Tietta Pivatto

Nas saidas com Alexandrino e Adrian Rupp, 60 espécies foram avistadas no Jardim Botânico de Timbó, mesmo o Parque abrindo às oito. Enquanto isso, nossa Roda girava no antigo Moinho, - transformado em local para eventos: Thapyoka - para os alunos do Colégio Municipal de Indaial, com as professoras Rubia e Beatriz, além de vários fotógrafos ao redor, louquinhos de vontade de virar criança para rodar pião de tucumã, girar bola na tarrafa e ganhar fotografia de passarinho. 

Felicidade estampada na foto de Fernando Raddatz, Pousada Rio dos Touros.

Os alunos preferiram ficar sentados nas cadeiras do Moinho. Foto Fernando Raddatz

Semente de Sapucaia que trouxemos da Amazonia, fez sucesso. Foto Fernando Raddatz

Gabriela com uma semente de Araucária, conhecida de todos. Foto Fernando Raddatz

06 setembro 2013

Mapinguari, Capelobo e Juma, não; Curupira, sim!



Pois lá no fundo do Amazonas, nas entranhas da BR319, nos encontramos com o Ismael. Isso em 2013, durante nossa Expedição Amazonia.

Filho único de Dona Maria do Vestidão, senhora pequena, magra e forte, dona de uma casa dum lado da estrada e do outro, um igapó absolutamente limpo e delicioso.

Antes de continuar o papo, merecemos um banho, pois sim! “Só tem que cuidar com a sucuri, nos avisa assim que catamos sabonete e toalha e partíamos sedentos pro igapó.

Dona Maria construiu uma capelinha na frente da casa para a sua reza diária e de quem passe por ali, necessitado de fé, ou para os raros aventureiros, feito a gente.

Mael, como é conhecido Ismael, carrega sobrancelhas tipo taturana, preta e vasta numa carinha de pouco sorriso, dentes um tanto maltratados e bigode por vir, é super atencioso e atento. Primeira coisa que pedimos foi conhecer a trilha que era mantida ali para pesquisadores do INPA e para incursões de caça só do Mael. Seu território absoluto e nem poderia ser diferente, veja se não:

“Um dia antes de caçar varro toda a trilha”. Detalhe: são aproximadamente 6 km no meio da Amazonia profunda, como é caracterizada pelos pesquisadores. “Só caço na lua nova, não pode ter luz pro bicho não me ver…” Fizemos a trilha de dia; atravessamos pinguelas improvisadas com troncos roliços, através de miríades de igarapés torcidos, arroios recurvados, caminhos d’água seco, com um, dois ou mais metros de profundidade com até 6 metros de extensão! Às vezes tinha lá um cipó balançando à guisa de apoio, ou um fino galho enfiado no meio para dar um “certo equilíbrio” e rumo antes de alcançar a outra margem. Tudo fechado de floresta… amazônica! Foi suado, confesso.

Teve pinguela que a gente “pulou” - por baixo, claro! - porque seria impossível não escorregar e levar um embaço. Mael, ao ver a gente sofrer horrores para atravessar, de vez em quando ficava preocupado, como também dava risadas às escondidas, ao guiar dois curiosos e despreparados pela trilha que ele sabia de cor e fazia à noite, sem um pingo de luz. Como? Pelo cheiro de trilha limpa e caça perto? Tudo isso e mais.

Bom, na volta antes de sair da trilha sentamos num tronco e tivemos uma conversa reveladora.

Mael nos conta, absolutamente seguro, não acreditar em Mapinguari, Capelobo, Juma… “essas coisas que inventam sem sentido.” Só acredita no Curupira e justifica sem pestanejar: “Curupira é o protetor da Floresta e dá uma ‘pisa’ em quem caça por maldade.”

“Bicho com um olho na testa? (ri, engraçado) fica difícil acreditar em alguém assim ou com boca no estômago; mas, pé pra tras, ah... isso pode sim, pra enganar caçador que quer judiar dos bichos, caçar pra vender, ganhar dinheiro, esse apanha mesmo e tá certo, tem que apanhar... Se mata a caça a toda hora e vende, ele (o Curupira) dá uma ‘pisa no cara’ (...) Eu acredito que tem esse tal de caboclinho, sim.”

Depois a conversa vai para o Juma, uma entidade gigantesca do imaginário popular, da estirpe do Mapinguari, que come os pedaços das pessoas, segundo nosso amigo Mael. Mas ele não acredita nisso, não, e ri de lado…

Juma é o nome de um povo originário habitante do Alto Tapajós que migrou para o rio Madeira; mas também um dos nomes do Mapinguari, conhecido também como Pé-de-garrafa ou Mão-de-pilão.

Enquanto conversávamos com Mael, sons e cheiros desse pedaço profundo da Amazonia rodeavam e nos faziam perceber um mundo gigantesco. O canto das aves seria uma trilha sonora perfeita para um filme, antes que a BR319 fosse novamente asfaltada e os poucos moradores perdessem para sempre a crença em protetores da floresta.

Como estará hoje a mulher que nos recebeu de portas abertas e panela no fogo, com seu filho caçador e a capela pronta para a reza do dia? Afinal, a BR319 parece que está prestes a ser vestida com capa e espada…


MAPINGUARI

Mapinguari (ou Mapinguary) seria uma criatura coberta de um longo pêlo marrom avermelhado vivendo na Floresta Amazônica. Segundo povos nativos, ao perceber a presença humana, fica de pé (possivelmente pronto para o combate ou para a fuga) e alcança facilmente dois metros de altura. Ainda segundo outras lendas, seus pés seriam virados ao contrário (o que demonstra a confusão da sua lenda com a do Curupira, outra entidade do folclore brasileiro), suas mãos possuiriam longas garras e a criatura evitaria a água, tendo, sob a espessa pelagem uma pele semelhante a de um jacaré.

O Mapinguari também possuiria um cheiro forte e desagradável, semelhante ao exalado por um gambá. Esse mau cheiro faria com que sua presa ficasse aturdida, o que permitiria ao ser apanhá-la com considerável facilidade. Conta-se também que a bocarra do Mapinguari abriria-se amplamente, indo da face até o abdômen, liberando também um forte odor.

Caçadores do lago do Badajós no estado do Amazonas, afirmaram ter atirado em uma suposta fêmea (por possuir seios cobertos de pelo) que teria antes atacado um deles. Porém, mesmo ferida, ela teria atraído a atenção de outro exemplar através de urros altos. Seria um suposto macho corpulento de aproximadamente uns 2,5 m de altura, que estaria vindo em defesa da fêmea e tentando atacar o grupo que teria conseguido fugir numa canoa.

Segundo o relato, a criatura não entrou na água para persegui-los e teria ido embora com a sua fêmea ferida. Esta história, supostamente aconteceu em 1967 em Tefé. Quem contou esta história foi o senhor José Lima, nativo da floresta, que hoje mora em Manaus. De acordo com este teórico avistamento, a criatura se assemelha muito ao Sasquatch, o Pé-Grande, que se acredita viver algum lugar na América do Norte.  
 
(Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Mapinguari)


CURUPIRA

O Curupira gosta de sentar na sombra das mangueiras para comer os frutos. Lá fica entretido ao deliciar cada manga. Mas se percebe que é observado, logo sai correndo, e numa velocidade tão grande que a visão humana não consegue acompanhar. "Não adianta correr atrás de um Curupira", dizem os caboclos, "porque não há quem o alcance".


A função do curupira é proteger as árvores, plantas e animais das florestas. Seus alvos principais são os caçadores, lenhadores e pessoas que destroem as matas de forma predatória.
Para assustar os caçadores e lenhadores, o curupira emite sons e assovios agudos. Outra tática usada é a criação de imagens ilusórias e assustadoras para espantar os "inimigos das florestas".


(Fonte: http://lendasdobrasil.blogspot.com.br/2010/10/lenda-do-curupira.html)




JUMA

Os Juma, inimigos míticos dos Jarawara, invadiram inesperadamente a aldeia e mataram todos para comer, pois eram canibais. Apenas uma jovem escapou e para não ser pega, colocou o seu sangue menstrual em uma flecha e em sua axila, e fingiu-se de morta. Um homem Juma, passando, reparou na beleza da menina e pensou consigo mesmo que se ela não estivesse morta, a levaria para ser sua esposa. 
 
Ele então percebeu que tinha esquecido a sua faca (feita de taboca) e gritou para um de seus companheiros trazê-la, o que ele não fez, pois estava muito ocupado cortando e carregando as inúmeras vítimas. Para verificar se a menina tinha realmente falecido, o Juma a bateu com um pau, escutou suas batidas cardíacas e colocou um pedaço de capim em suas narinas. A jovem não reagiu em nenhum momento.

Convencido, ele a cobriu de paus e foi buscar sua faca. Assim que ela ouviu os passos dele ao longe, jogou no mato os paus podres que a cobriam, saiu correndo e se escondeu dentro do buraco de um pássaro, em uma árvore. Ao retornar, o Juma foi incapaz de achá-la, e depois de um longo tempo a sua procura, resolveu ir embora. A jovem então saiu do buraco e foi andando pela floresta, onde encontrou dois animais mortos e forrados no pé de uma árvore, que ela então subiu. Um homem chegou carregando diversos macacos mortos, pois ele havia saído para caçar antes do massacre. Ela gritou lá de cima da árvore para chamar sua atenção, mas ele não quis olhar. Ela contou que os Juma tinham matado todo mundo, e só tinham sobrado eles dois.

Descendo da árvore, a jovem falou para o homem ir buscar a linha de algodão que ela havia tecido e a farinha branca (iawa) que estavam sobre sua rede. Chegando na aldeia, ele pegou a linha e a farinha e já de saída gritou: “tem alguém ai?”. Um Juma respondeu: “está faltando um”. Ele saiu correndo até onde estava a jovem e os dois continuaram andando na floresta. Ela fez duas redes com os fios de algodão e depois prepararam o jantar. A jovem casou-se com o homem e ambos ficaram morando escondidos dos Juma. Tiveram vários filhos, e quando estes cresceram, o pai explicou-lhes que eles deveriam se casar com suas próprias irmãs, o que eles fizeram. Todos tiveram muitos filhos e seu povo cresceu novamente.

(Fonte: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/jarawara/617)