22 março 2012

Tom Butts filma a Reserva


Uma bela recordação do autêntico batman Tom Butts (pesquisador de morcegos nos EUA) em visita a Reserva, janeiro de 2005.
Passamos bons momentos juntos tomando banho de rio e aprendendo a falar e até sonhar em Inglês. Na época ele nos presenteou com um Guia de Aves e um binóculo que até hoje andam conosco pra tudo quanto é lado!
Nesta mesma época recebemos o novo equipamento fotográfico e esta foi uma das primeiras fotos com a nova canon EOS 20D e a lente 100mm 2.8.
A Reserva começava a ser fotografada de tudo quanto é jeito. Até então era tudo na base de slide com a Canon EOS RT, alguém lembra disso?
É um dos fundadores da Ecovila Cunha, com nossos amigos Zaida e Denis.

07 março 2012

Ponte de Formiga

Detalhe da ponte formada unicamente de formigas - Photo Renato Rizzaro
Fiquei absolutamente surpreso ao reparar que as formigas atravessavam o rio das furnas por um pequeno local onde sempre construimos uma passagem com pedras, pois a correnteza é muito forte e carrega as pedras que pacientemente arrumamos a cada chuva.

A surpresa maior foi verificar que em certos trechos onde não havia como atravessar pelo rio, as formigas construiam pontes de formigas, quer dizer, utilizando seus próprios corpos, segurando-se umas às outras para que a travessia não fosse interrompida.

Claro, fui até em casa, peguei tripé e voltei o mais rápido possível e fiz algumas fotos e filmes, porém as formigas já estavam no final e acabaram por desmanchar as pontes e finalizaram a travessia. De casa até o local demorou pra chegar... Se eu estivesse equipado na hora, mas eu estava apenas preparado para fotografar aves e outros animais, com uma lente 100/400mm e sem tripé. Quem sabe consigo ver outra ponte e aí, fazer imagens melhores. Mas já valeu o registro.

Formigas

As formigas estão incluídas em uma única família (Formicidae), sendo que existiam 12.351 espécies descritas, distribuídas por todas as regiões do planeta, exceto nas regiões polares. De acordo com Ted R. Schultz, em "In search of ant ancestors", as formigas são indiscutivelmente o gênero animal de maior sucesso na história terrestre constituindo 15 à 20% de toda a biomassa terrestre. 

Acredita-se que o surgimento das formigas na Terra deu-se durante o período Cretáceo (há mais de 100 milhões de anos) e pensa-se que elas evoluíram a partir de vespas que tinham aparecido durante o período Jurássico.

Para saber mais: Dom Escobar e Antweb
 
Pontes feitas com as próprias formigas que atravessam o rio das Furnas

Leopardus tigrinus fotografado na Reserva

Felidae - Leopardus tigrinus  Gato-do-mato-pequeno  Oncilla  - Photo  Renato Rizzaro

Alguma coisa me puxou para debaixo do Tarumã. Subi a trilha calmamente e fiquei por ali, um bom tempo, a observar o pouco movimento da tardinha. De repente um vulto cruza a trilha a três passos dali. Felino!!! Ah, sim, a câmera estava engatilhada e tirei a primeira chapa que pegou um movimento, pedaço da traseira, rabicho. O pequeno percebeu o estranho e meteu-se na floresta, absoluto.

Ai, lá se foi, pensei. Mas não, estava tão curioso para saber de onde partira aquele clic, quanto eu para saber de quem seria o esgueiro. Então, apareceu o brilho nos olhos! Nem deu tempo de acertar ISO, velocidade e o tal do foco que esbarrou em galhos, desviou de folhas, atravessou troncos e parou em Cheshire.
O meu gato nem deixou pista; importa o caminho?

É o menor felino do Brasil com 60 a 85cm e 1,5 a 3,5kg. Patas pequenas, proporcionais ao tamanho do corpo. Vulnerável na Lista Vermelha da IUCN pelo comércio de peles, abate, supressão de ambiente e atropelamentos, além do que tem baixo sucesso reprodutivo, raramente observado e pouco estudado.

Aparentemente é comum em remanescentes florestais do Sul do Brasil, podendo transitar com relativa frequencia em áreas de reflorestamento com espécies exóticas, plantios e áreas afetadas pelo desmatamento e pelo fogo.

Noturno e solitário, alimenta-se de roedores, marsupiais, aves e répteis. Ocorre na Argentina, Bolivia, Brasil, Colombia, Costa Rica, Equador, Guianas, Panama, Paraguay, Peru, Suriname e Venezuela.

Fontes:  Plano de Manejo da Reserva Rio das Furnas -  HMW-Lynx Edytions

29 fevereiro 2012

Knipolegus cyanirostris / Maria-preta-de-bico-azulado


Tyrannidae é a maior família do hemisfério ocidental ao qual é confinada. Rivalizam, nesta parte da Terra, com os papa-moscas do Velho Mundo (Muscicapidae, Oscines), com semelhante número de espécies. Estão entre os grupos mais diversificados de aves do mundo e são, no Brasil, os pássaros que mais se vêem e se ouvem. Constituem mais de 18% das espécies de Passeriformes da América do Sul. Distribuídos do Alasca até a Terra do Fogo, num total de 413 espécies têm a sua maior concentração na região tropical.

A fêmea acima foi fofografada na Reserva Rio das Furnas em fevereiro de 2012, elevando a lista de aves da Reserva para 236 espécies.

O macho de K. cyanirostris é totalmente negro com bico claro acinzentado. Tem um fino "it" como voz e a cerimônia é muito interessante, pois o macho, totalmente em silêncio, desliza, de asas levantadas, em frente à fêmea.
Caça insetos!
É migratório (Espirito Santo, Rio de Janeiro). Ocorre do Espírito Santo e Minas ao Rio Grande do Sul e Mato Grosso, Argentina, Paraguai e Uruguay, nonorte em regiões serranas.

Fonte: Helmut Sick

06 fevereiro 2012

Estagiários do IFC na Reserva

Chegada na divisa da Reserva, após 3km de caminhada

A professora/orientadora do Instituto Federal Catarinense - Câmpus Rio do Sul, Maria Amélia Pellizzetti, queria um estágio diferente para seus alunos e sugeriu que fosse numa área preservada.
Amélia conheceu a Reserva em 2006, através do Projeto Piava. Na época, fazia parte da equipe que nos orientou na recomposição de áreas degradadas pelo uso intensivo do solo por pastoreio e coivaras para milho e cebola.

Dionatan prepara uma exsicata
Depois de uma visita prévia, em dezembro, para ver se topariam ficar algumas semanas longe da civilização, iniciaram suas tarefas no primeiro dia de 2012 guiados pelo Plano de Manejo fornecido pela SPVS.
Começamos pelo controle das plantas exóticas/invasoras e manutenção da estrada de acesso à Reserva.
Mudas do Piava na beira das trilhas foram coroadas e algumas coletadas para exsicatas que serão identificadas e catalogadas por Dionatan Gerber, um dos estagiários. Charles Costa Coelho, bom observador, identificou várias aves e mostrou-se interessado pela ornitologia. Pode vir a ser um excelente guia!

Charles numa saída de campo verifica o cedro atacado pelo bicho-serrador


Foi uma vivência saudável.Trabalhamos mutuamente no nivelamento e construção de degraus nas trilhas; poda de árvores; coleta de sementes; transplante e compostagem.
Procuramos passar o que aprendemos em onze anos de Reserva, principalmente o compromisso com a preservação da Natureza.


A dupla participou da confecção de escadas, nivelamento e limpeza de trilhas

Amélia confeccionará, com seus dois alunos, duas maquetes do canyon da Reserva que farão parte do estágio e serão utilizadas para Educação Ambiental em Picadas, Alfredo Wagner e no Instituto onde leciona.
Charles e Dionatan gostaram de estagiar na Reserva, revelam recentes emails.
Que venham outros!

28 janeiro 2012

Todo ano ele tenta...


O Tucano-de-bico-verde (Ramphastus dicolorus) acima, todo ano furunca um ninho abandonado construido por um João-de-barro.
Lá no início da Reserva Rio das Furnas, em 2001, o João-de-barro (Furnarius rufus) encontrava farto material para retocar seu ninho a cada ano e só abandonou quando a vegetação tomou conta dos pastos ao redor da nossa e de sua casa também.
Então, apareceram vários candidatos ao ninho, entre arapaçus, andorinhas e trepadorzinhos-quietes. Finalmente, quem ficou com a casa foi o Bem-te-vi-rajado (Myiodynastes maculatus) e a cada ano tem nela uma nova família, ou tenta pelo menos...
O Tucano é um assíduo frequentador desta toca e não deixa barato, se tem ovo, engole. Mas não é assim, fácil, não. Tem briga. O casal de rajados está sempre atento e sai em cima do Tucano toda vez que aparece. É uma constante luta para a sobrevivência.
Mas o nosso tucano, sabemos, só vai atrás de carne quando é pequenino, pois depois de grande é frugívoro e granívoro, alimentando-se, como tantos outros, das sementes da Capororoca (Rapanea sp), do Chal-chal (Allophyllus edulis) e tantas outras disponíveis na Reserva.
Silencioso e solitário, vasculhou o cedro e saiu de mansinho. Vi por acaso, numa manhã tranquila de dezembro/2011.

Photo Renato Rizzaro

24 janeiro 2012


Você sabe o que é uma janela cega. Pois então, todas as janelas da casa da Reserva eram assim, cegas, sem vidro, ou fecha e fica escuro ou abre e entra luz, chuva, vento...
Oito das dez foram substituidas por janelas com postigos, com ventilação e vidro, mas duas estão ainda lá, bem na frente da casinha, na sala. Isso para mostrar para os visitantes como eram as originas, pregadas, sem parafuso coisa nenhuma, era tudo na base do martelo.
Estavam quase todas em péssimas condições, atacadas por brocas e principalmente pela ação do tempo, detonadas mesmo, mas duas delas viraram baú, este aí de cima. Ficaram pra contar história.
Dentro tem lenha, a pouca que a gente consegue agora, depois que a SPVS nos orientou a não tirar o alimento da terra em forma de galhos que recolhíamos na beira das trilhas. E tem resultado nisso, sim! As plantas agradecem e depois, a gente tem um plátano muito gentil que nos fornece lenha para o inverno, com seus galhos caindo de vez em quando ou secando e cortando. Tem mais exóticas para cortar, sim.
Enquanto isso o baú vai enchendo de histórias, vazio de lenha qualquer. De vez em quando também tem poda no pessegueiro, na laranjeira, no limoeiro e vai tudo pro baú.
Teve também o tempo em que fomos reformar a casa, esse já andei contando por aqui, carece de mais palavra não, mas o baú, sim. As janelas viraram lenha, assim como muita madeira da casa, menos aquelas muito podres, ritual noturno até que apareceram os pirilampos, puxa vida: pensaram fosse luz e houve uma tristeza enorme aquela noite, porque voavam contra o fogo. Apagamos a ideia de fogueira rapidinho. Queimar coisa, só de dia. No baú, pode sentar.

13 janeiro 2012

Aracuã eleva lista de aves da Reserva para 235


Nestes onze anos de Reserva ainda não havíamos registrado a presença do Aracuã. Neste final de ano ouvimos a sua vocalização durante vários dias, próxima de casa, nos finais de tarde, provalvelmente vinda  do local escolhido para dormitório.

Sua vocalização é um cacarejar altamente rítmico, ventríloquo e de duríssimo timbre; só com muita atenção percebe-se tratar do dueto de um casal; tem a traquéia dobrada, como o Jacú.
Pertence a família Cracidae, assim como Mutuns, Jacus e Jacutingas. Alimenta-se de frutas, folhas, brotos e gosta de comer flores de árvores. Caça moluscos, gafanhotos, pererecas e outros animalejos. Procura barreiros para engolir terra salobra. No seu estômago sempre se acham pedrinhas.


O abrir e fechar impetuoso da cauda é sinal de excitação; tem o tique de sacudir a cabeça. Gosta de banhar-se de poeira e de sol. Dorme sempre no mesmo ponto.


O macho dá comida a sua fêmea, virando e abaixando a cabeça gentilmente, como os pais alimentam os filhos. Seu ninho é construido em cipoais, às vezes no alto das árvores ou em ramos sobre a água ou caídos; aproveita-se de ninhos de outras aves. Monógamo, tende a nidificar em grupo.


Família ameaçada pela caça ilegal e destruição das florestas tropicais, seja bem-vinda ao aconchego da Reserva Rio das Furnas!



Familia: Cracidae
Ortalis guttata
Fonte: Helmut Sick - Ornitologia Brasileira/2001
Photo Renato Rizzaro