10 agosto 2011

Pumas na Reserva


A imagem é de arrepiar.
Após registrarmos um tanto de tatú, jacú e saracura; dois graxains, furões e outros desavisados que passaram na frente da nossa câmera indiscreta, resolvemos mudá-la de lugar e voilá: um Puma.
É uma emoção tão forte que a gente esquece de geada, chuva, lua cheia... O fato coincidiu com a visita de monitoramento do Flávio e do Lucas, da SPVS. Tivemos o prazer de vibrar juntos com o registro, até então, de um Puma.
Levaram a foto num pen-drive para o Luiz Guilherme, do Instituto Serrano, em Urubici, que estudou o assunto e deu a resposta: não é Puma concolor, mas é Puma yagouaroundi, um Gato-mourisco.
O Luiz já havia falado sobre as fêmeas do Puma concolor, que certamente estariam presentes em nossa área, pois procuram canyons para procriar ou deixar seus filhotes para adaptarem-se à vida solitária, justamente nessa época do ano. Fezes foram coletadas na Reserva, vai daí...
Ainda sobre o concolor, porque tem cor igual ao do veado, os Tupi chamam Sussuarana. Para os franceses é Cougar.
Ocorre desde o Texas, Arizona, Sudoeste dos EUA, Califórnia, Flórida, Nicarágua, Peru, Bolívia, anda por quase todo o Brasil, desce pela Patagônia chilena, atravessa a Argentina, beirando os Andes até quase chegar a Terra do Fogo. 
Mede de 86cm a 1,50m e o rabo vai de 60cm a quase um metro. Pesa entre 30 a 70kg e excepcionalmente, pode chegar a 120. Quilos!
Abriga-se em cavernas, fendas em rochas e galhos. Ágil, cansa com facilidade e foge do homem. Vive em torno de 12 anos e precisa de uma área entre 83 a 600km2.
O Gato-mourisco é menorzinho, entre 83 e 128cm e pesa de 3 a 9kg. Por incrível que pareça, mais raro do que a Sussuarana por estas bandas, segundo Luiz Guilherme.
Habita bordas de floresta, capoeiras e capões, onde prefere ficar perto de rios, lagos e banhados. Está em casa.
Come roedores, lebres, gambás, macacos, além de artrópodes, aves, répteis, anfíbios e peixes.
Sua distribuição geográfica é semelhante ao da Sussuarana, ao contrário dos hábitos, que são diurnos/crepusculares.
Nossa certeza na preservação da Reserva, aumento da área de RPPN, abertura a pesquisas, criação de corredor ecológico e o Parque no Alto da Boa Vista, ganha força expressiva com esta aparição.
Mesmo não sendo uma foto de Sussuarana arrepia menos, mas que arrepia, arrepia...

(Clique aqui e veja matéria posterior a essa, onde foi registrado o Puma concolor)

28 julho 2011

Oficina de Educação Ambiental em Alfredo Wagner


 
Na Escola Balcino, em Alfredo Wagner, 30 professoras participaram da movimentada Oficina de Educação Ambiental promovida pela Reserva Rio das Furnas em parceria com a SPVS - Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental.

Os dias 18 e 19 de jullho, iluminados pelo sol, entraram para a história da cidade, com o casal Fabrício e Fernanda orientando as atividades. Geógrafos formados pela UFSC, passaram um tempo em Mont­pellier, França, onde estudaram Ecologia.



Com as professoras, repartiram suas experiências e teceram informações sobre Leis, Florestas, Biodiversidade, Água e Mudanças Climáticas; distribuiram fotos, sementes enigmáticas, até fizeram as professoras equilibrarem pregos para comprovarem que nada é impossível.

Teoria e prática foram temperadas com atividades lúdicas que culminaram com uma saída de campo no Parque Municipal onde alguns escorregaram em trilhas, outros viram pica-pau-dourado, galinha-d’água e observaram bichos.

Todas preencheram questionários e revelaram ter capacidade de participação além das expectativas, porém lamentaram o lixo, descaradamente espalhado pelo caminho. Aliás, fizeram questão de tirar uma foto em protesto pela falta de respeito com a paisagem.

Desmatamento Evitado


Florestas de araucária, reduzidas a invisíveis pontos azuis num mapa apresentado por Flávio Krüger, da SPVS, entristeceram o grupo.
A seguir, a apresentação do Projeto Desmatamento Evitado trouxe alento por adotar remanescentes e potenciais áreas de recuperação, como é o caso da Reserva Rio das Furnas.

A Oficina teve apoio da Secretaria de Educação, que aproveitou a capacitação das merendeiras na mesma Escola e serviu lanches e almoço a todos os participantes.

Conclusão unânime da turma: dois dias é pouco.
Para um município rico em biodiversidade e importância pra lá de comprovada como manancial de uma das maiores populações do Estado (Bacia do Itajaí), todas ficaram ansiosas por mais informações para repassarem aos seus alunos, com razão querem mais.

Fabrício orientará a Escola de Picadas, mensalmente, até o final deste ano, numa primeira fase, conforme o Plano de Manejo da Reserva. Depois, pensa-se num contato com a Eco-Ecole. E, vamos nós!

Parabéns a todos os participantes!




O Guia utilizado nesta Oficina, uma compilação de diversos autores, está disponível aqui.

23 julho 2011

Uma foto da Ilha do Rio das Furnas


Julho, cheio de chuva e poucas saídas de campo. Só pra verificar as armadilhas fotográficas. Teve um dia que não resisti e saí pra dar uns clics com tripé e tudo. Olha só a imagem que encontrei na Ilha do Rio das Furnas. Apaixona cada vez mais essa Reserva...

22 junho 2011

O enigma da Capivara





















Família: Rodentia
Nome científico: Hydrodhoerus hydrochaeris

Equipamento Bushnell adquirido através do Programa Desmatamento Evitado - SPVS.

Logo na primeira vez que instalamos a armadilha fotográfica na Reserva aparece novidade.
Debaixo da araucária, cinco urús comendo pinhão; noutra, uma gralha-azul no solo; depois, duas iraras e, no mais, retratos de tatú e saracura de todos os ângulos.
Agora, Capivara foi demais!
Conhecemos de perto este animal e não passaria despercebido nas andanças pela Reserva, porém...
Em seguida vai o email do Tobias Kunz, biólogo que há alguns anos pesquisou as serpentes na Reserva e mantemos contato direto:

“O Cherem disse que quando fez o levantamento para o EIA da usina eólica Alto da Boa Vista, a capivara foi citada em entrevista por moradores, portanto não seria uma novidade para a região. Também pensei que aí no alto não seria muito provável ter capivara mas na real esses bichos estão por tudo e mesmo grandes, não são tão fáceis de serem vistos (mas os “vestígios” sim). É aquela coisa, sem caçadores na Reserva, devem começar a aparecer mais... Mas não me parece que isso possa ser um problema, esses bichos certamente se deslocam muito além da Reserva e portanto continuam sendo caçados em outros lugares. A falta de predadores, portanto, é de certa forma compensada, se bem que puma ainda tem por aí.
Outra coisa é que as pessoas em geral pensam que o excesso destes animais (assim como de jacarés em outras regiões) é algo fora do normal, mas capivaras e jacarés são abundantes em ambientes preservados, mesmo onde ainda há predadores, como no Pantanal, por exemplo, onde não falta onça. Aqui no manguezal do Itacorubi o pessoal começou a se assustar ao ver alguns jacarés amontoados na frente do Shopping Iguatemi, mas não tem absolutamente nada fora do normal, o que aconteceu é que ali ninguém caça e não é do feitio deles serem medrosos.” 



É o maior roedor existente, primo do rato, chegando a medir 1,30m, aprox. 50cm de altura e pesar até 100kg.
Hydrochoerus significa porco d’água. A designação vulgar “capivara” é de origem Tupi-guarani: caapi, capim, e uaára, comer, o que significa comedor de capim.
Herbívoro generalista de hábito semi-aquático, ocorre na América Central e do Sul, do Panamá ao Nordeste da Argentina.
É um animal social, vivendo em grupos territoriais, formados por um macho dominante, várias fêmeas, jovens e subadultos. Tem alta capacidade reprodutiva e baixa exigência quanto ao habitat, mas precisa de banhados para viver.
Estudos realizados na Ilha de Santa Catarina indicaram que as capivaras já faziam parte da cultura dos povos daquela região há milhares de anos.
Agora é ficar atento aos vestígios e começar a estudar os hábitos destes novos moradores da Reserva. Que tal?



Acima: Iraras (Eira Barbara); abaixo, cinco urús (Odontophorus capueira) comem pinhão


14 junho 2011

Caixa de Aves da Floresta Atlântica





















Caixa de Aves exclusiva, numerada, confeccionada com retalhos de madeira.
Para cada Caixa que você adquire uma árvore é plantada e já temos muitos cedros (Cedrela fissilis) brotando no chão da Reserva.
No interior da Caixa você tem 68 fotografias originais com a chancela da Reserva e mais um Guia impresso com as aves que estão nas fotos para orientá-lo em Inglês e Português. Neste Guia existe uma pequena descrição da ave, com familia, nome científico e tamanho em centimetros.
Trabalho minuciosamente realizado e revisado com apoio técnico-científico do IPA/FURB - Instituto de Pesquisas Ambientais da FURB/Blumenau.

Para adquirir a Caixa de Aves, basta fazer um depósito de R$ 200,00 no Banco do Brasil, Agência 1383-8 em nome de Renato Rizzaro e envia para o email riodasfurnas@gmail.com.br os dados para envio.
As despesas de Correio são por nossa conta.

Detalhes em www.riodasfurnas.org.br na imagem da Caixinha em baixo a esquerda
Presentinho bem bacaninha, de onde sairam as aves do Cartaz de Aves da Floresta Atlantica.

09 junho 2011

Poster de Aves no site da Editora Horizonte

Fruto de nosso encontro em São Paulo,
durante o Avistar 2011, a matéria saiu no site da Editora.
Grato pelo carinnho e atenção.
São as aves catarinenses voando cada vez mais alto!
Para ver a matéria completa, clique aqui.

24 maio 2011

Lembrança do Avistar 2011

Vitor Piacentini, Maria Delphina, Vanessa, Fernando Brüggemann, Gabriela e Renato Rizzaro no Avistar 2011 em São Paulo.
Foto de: Claudio Francisco Vidal Ojeda

22 maio 2011

Arapaçu na espiral da fama

A primeira vez em que falei de Arapaçu em São Leonardo, o pessoal olhou meio desconfiado: ninguém conhecia. Descrevi o bicho, aí, a coisa piorou. A resposta foi única: é pica-pau e ponto final.
Vai daqui, vai de lá, até que certo dia apareceu um Arapaçu na nossa conversa: “isso daí é uma picapona, não presta pra nada, é devoradora de colméias” fulminou o vizinho, espantando o inocente.
Nosso trabalho com a comunidade é penoso, pois a cultura local enxerga somente passarinho na gaiola. Aves silvestres são ignoradas ou ameaçadas. A criançada é sempre a esperança, para elas vai nossa especial atenção.

Só consegui reabilitar o Arapaçu muito depois, numa exposição em que fotografei um exemplar de perfil, com o detalhe da cauda apoiada no tronco. A ave foi reproduzida em convites para a inauguração da exposição Aves da Floresta Atlântica no Parque Ingo Altenburg, em Ituporanga, porisso ficou famosa. Também está no Cartaz das Aves que nós produzimos e que já circula por muitos cantos mondo afora.
Falar dos Arapaçus é bacana, a começar pelo uso que fazem da cauda como apoio, quando “escalam” árvores (repare bem na foto). Sobem em espiral e despencam de ré, voando rápido e quase sempre pousam na vertical. O colorido aparenta homogeneidade; visto de perto tem padrões espetaculares!

A vocalização é impressionante, forte. Gostam de cantar nos dias chuvosos e as vezes são as derradeiras vozes do entardecer.
Insetívoros, usam o bico como pinça; exploram fendas nos troncos, onde buscam desde larvas a pererecas, girinos e lagartixas. Pouco saem da mata protetora. São abundantes em florestas neotropicais, principalmente nas primárias, por encontrarem antigas árvores, ocas, secas e buracos prontos para nidificar.

Durante muitos invernos tivemos um Arapaçu-grande (Dendrocolaptes platyrostris) dormindo no beiral de nossa casa, um vizinho perfeito.
Certa vez, eu e Gabi conversávamos na varanda da Reserva, quando este Arapaçu-grande pousou em meu peito, numa camisa de flanela xadrez. Olhou calmamente ao redor, vendo que nada tinha a explorar neste pequeno “tronco” voou, nos deixando rindo à toa, pela visita tocante.

Assim, a gente segue mostrando essa e tantas outras histórias, porque sabemos o quanto um bicho precisa estar em close, ficar famoso, para ser respeitado, reconhecido.

Na  foto, um Arapaçu-verde (Sitassomus griseicapillus) em tronco de Bracaatinga.