17 janeiro 2013

Igapó-açu com o coração na mão

Seu Antonio: fala mansa, de quem gosta de longas histórias. Foto: Renato Rizzaro
Seu Antonio do Boto fez questão de levar a gente lá pro meio da várzea, num fim de tarde luminoso de outubro de 2012, longe do agito da vila, e nos presenteou com um pedaço do seu coração. Precisava falar com quem prestasse atenção em suas palavras singelas, transbordantes de carinho com animais, plantas e sua Natureza, enfim. Contou um pouco da vida, da paixão pelos bichos e das conversas com o boto-rosa.

Tem a fala mansa, de quem gosta das longas histórias, profundas e bem contadas, como as que ouvimos dos índios. Tem paciência para a pausa, tal como quem faz boa música e paciência para a pesca, de onde vem a comida para sua família, uma grande família!

Paciência Igapó-açu tem de sobra, por estar no meio da BR 319, apartada da civilização por lentas balsas e miríades de buracos de onde surgem caminhões de gelo a levar seu pescado, às vezes toneladas, chacoalhando, para a capital. 

Ficamos dois dias, muito pouco. Precisaríamos de mais tempo para conhecer o rio, a vegetação, os caminhos por onde passam as vidas do povo de Igapó-açu, animadas pelo vai e vem das águas, barcos e raros passantes, uns doidos, como costumam falar.

A sexta Roda de Passarinho foi compenetrada. As crianças conheciam muitas aves e também vários dos animais que apresentamos: puma, quati, tatu, serelepe. 

Envolveram-se na História do Rio das Furnas, da SPVS, Santa Catarina, canyons e serras, como num faz-de-conta. Afinal, estivemos ali tal e qual os personagens daquela estrada, sempre no rumo do nunca mais da distante civilização.

Seguimos viagem com um nó na garganta, ouvindo a choradeira do Gustavo, que, do colo da mãe, aos soluços, implorava ir com a gente. Então houve silêncio.

Seu Antonio disse: conheçam a Dona Maria do Vestidão que vive no km 300 com o marido, Seu João e o filho Ismael. Seu recanto é parada de pesquisadores e acolhida certa para viajantes, ao lado de um igapó onde banha-se de lindeza, transparência e frescor. 
Sucuri tinha, mas não apareceu. Ali percorremos um trecho de pura floresta amazônica na compenetrada companhia de Ismael e conhecemos a arte do equilíbrio em troncos roliços sobre igarapés. 

Dali fomos ao Seu Paulo - o guerreiro - Dona Graça e a filha Marilane de 3 anos, no km 350. Rio Novo.

Após dias de pescaria a alegria vem com o Tucunaré (Cichla spp). Foto Renato Rizzaro

Cachara (Pseudoplastystoma fasciatum). Foto Renato Rizzaro

Agrado para o boto-cor-de-rosa querido do Seu Antonio. Foto: Renato Rizzaro
Projeto Pé-de-pincha preserva tracajás (Podocnemis unifilis) no Igapó-açu. Foto: Renato Rizzaro

Parte da família do Seu Antonio na sombra da mangueira. Foto Renato Rizzaro


Tudo acontece em função do rio. Foto Renato Rizzaro
Aqui a comunidade se reune. Foto Gabriela Giovanka
Aves do Pantanal vão parar no Amazonas. Foto Renato Rizzaro
Duas lindezas na Roda de Passarinho. Foto Renato Rizzaro


Aves são identificadas no poster do Pantanal. Foto Renato Rizzaro


A professora Neri e Seu Antonio do Boto juntos com a turma da escola. Foto Renato Rizzaro


Roda de Passarinho representada por uma aluna.


Sempre temos um cantinho para pousar com a Tokynha. Foto Renato Rizzaro
A balsa de Igapó-açu na BR319. Foto Gabriela Giovanka




Dona Maria e o filho Ismael. Pousada após Igapó-açu. Foto Renato Rizzaro






No Rio Novo paramos por dois dias junto do Seu Paulo, o guerreiro. Foto Renato Rizzaro

Banho só de igarapé. Foto Gabriela Giovanka

A antiga morada foi incendiada. Vida nova para a familia do Seu Paulo. Foto Renato Rizzaro




Ao atravessar a balsa de Manaus a Careiro, conhecemos o casal Neide e Gerson que nos convidaram para passar alguns dias em sua casa, na beira do rio Paraná-do-mamori. Foram dias maravilhosos antes de iniciarmos nossa jornada pela BR319.



Neide e Gerson à beira do rio Paraná-do-mamori. Foto Gabriela Giovanka


A ovelha Rebeca e a gansa Jolie, na casa de nossos anfitriões. Foto Renato Rizzaro



Gabriela ensina Neide a observar aves com binóculo: "Nunca tinha visto com tantos detalhes"



Navegando em boa companhia. Foto Gabriela Giovanka



Às margens do Paraná-do-mamori é possível encontrar floresta nativa. Foto Renato Rizzaro


Seu Roberval nos levou até o ninhal das Anhumas. Um sonho! Foto Renato Rizzaro



Espécie de lagarto arborícola com papo e sem rabo. Foto Renato Rizzaro


Seguimos pela BR319 até Humaitá. Foto Renato Rizzaro



14 comentários:

Renato Rizzaro disse...

Olá Renato,

as fotos são lindas, me encheram o coração de saudades do tempo que morei na amazônia. Parabéns pelo trabalho, eu sei como é de grande importância para o povo de lá.

Grande abraço,

Bruno. (via email)

Renato Rizzaro disse...

Renato e Gabriela,

Adoro as suas newsletters. Visitei também o seu blog.

Que viagen legal! Que imagens hermosas! Que histórias interessantes! Que bonito trabalho de compartilhar seus saberes com outros! Vocês realmente são pessoas muito bacanas! Parabéns!

Um abraço desde o frio de Washington, DC!

Luisa (via email)

Renato Rizzaro disse...

Bom dia,

Renato e Gabriela, lindo trabalho!
Queria também conseguir fazer algo assim.
Aliás parabéns pelas fotos, além de captar a beleza conseguiram bem captar emoção nelas.

Grande abraço!
Evaldo (via email)

Renato Rizzaro disse...

Irmãos.....

Estou emocionado...
Puxa, nem sei o que dizer...
Gratidão.....

Paz e Pax Sempre........

Renato Gama (via email)

Renato Rizzaro disse...

Salve Renato!

Demais a expedição e o trabalho que você vem realizando!
Que belas fotos de uma experiência de convívio que certamente foi mutuamente engrandecedora e que muito nos inspirou por aqui.

Forte abraço!

Fabiano RR (via email)

Renato Rizzaro disse...

Que belo trabalho, parabéns!
Chica (via email)

Renato Rizzaro disse...

Parabens pelo trabalho, é muita emoção...
As fotos são divinas.
forte Abraço.
Godinho (via email)

Gustavo Simon disse...

Bellissimas fotos e viagem.

Bom retorno ao sul.

Um abraço

Gustavo Simon

Juli disse...

Que bela expedição!Eu e o Miguel estamos acompanhando o diário de vocês no blog e adoramos saber como é a roda de passarinho!Parabéns!

Juli disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Luiz Álvaro disse...

Renato, mais uma postagem supimpa. Texto e fotos sensacionais. Leio e aprecio todas. E o ninhal de anhumas? que sonho.
abraços

Luiz Álvaro disse...

Renato, mais uma postagem supimpa. Texto e fotos sensacionais. Leio e aprecio todas. E o ninhal de anhumas? que sonho.
abraços

Renato Rizzaro disse...

Linda viagem! Lindas fotos !.Que maravilha conhecer o Brasil deste modo.
Gostei muito de poder ver tudo isto .Esta última Roda de Passarinhos , foi a que mais eu consegui “sentir “.
Preciso rever as outras . Gabi , vi boas fotos tuas .Estás te saindo bem!!
Nunca tinha visto um tucunaré tão garnde .É gostoso....
Como é bom ver os pássaros no seu habitat.Aqui já fico assanhada quando vejo algum!

Parabéns para os dois pela bela apresentação , pela viagem e também pelo que ela representa para o meio ambiente.
Abração
Maria stela (via email)

Guarim Liberato Jr disse...

No coração da Amazônia redescobrindo coisas do coração da gente, dos botos, dos animais, da floresta... coisas que passam tão rápido nessa nossa vida agitada que só mesmo com a paciência de quem aprendeu a viver em harmonia com a floresta tem a sabedoria para dedicar o devido tempo. É isso aí Renato e Gabi, precisamos mais tempo para essas coisas. Boas lições nos deixam seu Antônio do Boto e dona Maria do Vestidão. O trabalho, a expedição e a trajetória de vocês servem como estímulo para nossa reflexão diária. Um grande abraço, Guarim